terça-feira, 28 de julho de 2015

A influência das ideias iluministas


 A Filosofia das Luzes, que germinava na Europa, sobretudo entre a intelectualidade francesa, representava a evolução do pensamento renascentista, promovendo o espírito crítico baseado na razão, e acreditando no conhecimento, na técnica e no progresso, como meios primordiais para atingir a felicidade humana. A religião, a política e a sociedade desse tempo foram objeto de críticas contundentes, que estiveram na base da condenação dos valores tradicionais e na defesa dos direitos naturais (igualdade natural), valorizando a crença na natureza, o individualismo, a liberdade, a crença no trabalho, ilustração e progresso. Foram estes novos valores, publcicitados e divulgados pela “Enciclopédia”, que estiveram na origem da Revolução Americana e das Revoluções Liberais que lhe sucederam na Europa (e noutros novos países sul-americanos) nos finais do séc. XVIII e princípios do séc. XIX.

Valorizando a razão e a filosofia natural os intelectuais das Luzes (entre outros, Diderot, Voltaire, Montesquieu e Rousseau) com base no direito natural, defendem uma sociedade nova, assente no reconhecimento dos direitos naturais do homem: igualdade e liberdade, negando o absolutismo e a teoria da origem divina do poder real, contrapondo-lhe os princípios da soberania nacional (que pertence ao povo) e do contrato social (acordo, tácito ou explícito, entre o povo e os seus governantes).

Os iluministas, relativamente ao poder político, defenderam a sua tripartição em poder legislativo (o que faz as leis, normalmente pertencente a assembleias eletivas); poder judicial (o que julga o mau cumprimento da lei, pertencente aos tribunais); e poder executivo (o que aplica as leis e vigia o seu cumprimento). Em termos sociais, achavam que todos deveriam ser iguais perante a lei, mas aceitavam as desigualdades resultantes dos talentos e capacidades individuais.

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A Historia da Independência


No dia 30 de novembro de 1783 os Estados Unidos da América e o Reino Unido assinaram o acordo de paz (Tratado de Paris) que pôs fim à Guerra que vinham travando desde 1776, na costa leste do norte da América e que representaria, na prática, a separação das 13 colônias que a Inglaterra possuía naquela região.
Nascia assim um novo país – os Estados Unidos da América – o 1.º estado do mundo inspirado nas ideias iluministas.


A independência americana foi baseada nas ideias iluministas, tais como: igualdade, direito à liberdade, participação popular nas decisões políticas através da escolha dos representantes dos cidadãos para governar a nação (voto); a divisão dos três poderes e a elaboração de uma Constituição que define a vida do país. Tais características podem ser identificadas na Declaração de Independência dos Estados Unidos da América na qual está registrado: "Todos os homens foram criados iguais, foram dotados de certos direitos inalienáveis, e entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade" e "que, a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados".  Por ter proclamado o direito à resistência contra um governo opressivo, influenciou a revolução francesa.
 Nos Estados Unidos, apesar da forte presença da escravidão negra, não havia nobreza, servidão de camponeses nem uma igreja oficial, existia uma elite que desejava a remoção dos entraves colonialistas ao comércio com a Europa, enquanto na Europa uma burguesia enriquecida desejava ascender politicamente.
As colônias inglesas da America do Norte foram fundadas por imigrantes ingleses que fugiam às perseguições políticas e religiosas,e procuravam apenas um lugar onde pudessem viver e ter uma vida melhor. Esses ingleses eram puritanos (defendiam reformulações amplas na organização da Igreja) Perseguidos por anglicanos e outros protestantes, resolveram fugir para a América, pois ali poderiam construir uma sociedade com  liberdade religiosa adequada a suas crenças e princípios.
A ocupação da costa norte americana gerou diferentes formas de trabalho, predominaram pequenas e médias propriedades, que usavam mão de obra livre, produzindo para atender as necessidades do mercado interno.
As colônias do norte e do centro tiveram colonização diferente das restantes. As condições climáticas e de solo inviabilizavam a agricultura praticada nas colônias do Sul. A pouca interferência da metrópole (Londres) nos assuntos sobre a colônia permitiam que os colonos optassem pelas formas de colonização que julgavam mais adequadas ao local e aos seus interesses. A economia do norte e do centro se focava na caça, pesca e exploração de madeiras.  O comércio entre o norte, centro e exterior foi chamado de comércio triangular, as colônias adquiriam açúcar, melaço e rum em colônias caribenhas e trocavam por escravos africanos. O comércio no sul se baseava exclusivamente na atividade agrária.
As colônias eram altamente independentes, as decisões eram tomadas internamente, sem interferência da metrópole mas partir do meio do século XVIII a situação começou a mudar. Nessa época se iniciava na Inglaterra a Revolução Industrial, que levou a adotar políticas de ampliação e preservação de mercados consumidores para os produtos manufaturados e de fornecedores de matéria prima. Presos nesses interesses o governo voltou toda atenção à
America do Norte. A Inglaterra também queria possuir a área do atual Canadá e Louisiana, e a obteve após uma guerra contra a França. Isso abriu uma exploração da Inglaterra para o lado oeste.
Jorge II, rei da Inglaterra por volta de1730, aumentou a carga de tributos nas colônias da América para compensar os gastos da Guerra Civil, além de assegurar recursos monetários, as leis de aumento da arrecadação limitavam a produção de manufaturados na colônia, ampliando o mercado consumidor dos manufaturados ingleses. O aumento da carga fiscal naquelas colônias (imposto de selo, imposto sobre o chá, o papel, o chumbo e o vidro); a obrigação de suportarem as despesas militares inglesas no seu território; a impossibilidade de estarem representados no Parlamento inglês; e as Leis “Intoleráveis” (fecho do porto de Boston, redução da autonomia e limites à expansão para Oeste), a impossibilidade de estarem representados no Parlamento inglês; e as Leis “Intoleráveis”.
. Se manteve por mais sete anos a posse militar inglesa na América, contudo, os americanos, ajudados pelos franceses, saíram vencedores, assim foi assinado Tratado de Paris que estabelecia a paz entre os dois países e o reconhecimento da independência da ex-colônia em 1783.

A concretização da Independência dos Estados Unidos da América sustenta-se, claramente, nos ideais do iluminismo dando, assim, origem ao primeiro regime liberal da História.